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OBRAS DOCE QUINTAL DE MEMÓRIAS E MEMÓRIA ETERNA
Exposição Coletiva 51a Semana de Portinari
Curadoria do Museu Casa de Portinari

Galpão das Artes | Museu Casa de Portinari
São Paulo | Brasil
14.08.26 a 07.07.26

51 SEMANA DE PORTINARI

Museu Casa Portinari / Galpão das Artes

A mostra coletiva realizada no âmbito da Semana de Portinari reuniu artistas brasileiros selecionados com o propósito de estabelecer um diálogo visual e conceitual entre a produção contemporânea e o legado de Cândido Portinari. As obras Doce quintal de memórias e Memória Eterna reverenciaram a poética do mestre, a força do colo maternal como primeiro quintal e as miudezas do cotidiano.

DOCE QUINTAL DE MEMÓRIAS & MEMÓRIA ETERNA

Duas obras e muitas conexões, assim são, Doce quintal de memórias e Memória eterna.

 

Existem lugares que não cabem em um mapa, aqueles que a infância habitou. Uma obra que nasceu do quintal de infância, do colo e memória. Doce quintal de memórias é poesia de criança, das belezas que só as crianças conseguem enxergar. Como aquelas margaridinhas e rosinhas miúdas no fundo do quintal. E que o 'crescimento' humano, muitas vezes, nos faz desaprender a enxergar.

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O quintal que habitamos na infância nunca deixa de existir, provavelmente apenas muda de lugar em nós.

 

Algumas criações carregam o que não se desfaz, elas conseguem transcender a eternidade. E assim, flores de crochê, criados pela minha mãe e minhas texturas em pasta se envolvem em um diálogo maternal humano. De reconhecimento da imperfeição como forma de crescimento e compaixão uma pela outra. Tinta e linha conversam sobre o passado que nos abriga e sobre o colo de onde viemos.

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CONHEÇA AS OBRAS E SEUS DETALHES

DOCE QUINTAL DE MEMÓRIAS

Quando criei Doce quintal de memórias, meu objetivo não era apenas pintar flores, mas devolver à matéria a leveza daquilo que é genuíno. Quando crianças, encontramos no quintal pedras preciosas, colhemos florzinhas e matinhos, tudo como se fosse valioso. Miudezas e belezas que ao "crescer" não enxergamos mais. A infância de margaridinhas e rosinhas, esculpidas com pasta pela espátula, reflete a textura daquele tempo em que os dias andavam devagar e o simples era muito.

​É uma obra que não busca a pressa, modismos ou padrões. Ela busca a permanência no afeto e a poesia que a nossa rotina demanda de volta.

​Uma meia ciranda de flores, referência à obra "Ciranda/Roda" de Portinari, e amontoadinhos delas sobre uma atmosfera de tons pastéis e estética livre, me fizeram lembrar o algodão doce da pracinha. A arte também impacta quem cria.

MEMÓRIA ETERNA

Esta é uma obra a quatro mãos. Que nasceu da conversa entre a minha pintura e o crochê da minha mãe. Memória eterna tem tinta, linha e nossas lembranças também.

​Portinari encontrava na figura de sua nona e no maternal afeto simples e protetor. Aqui, o crochê dela e minha pintura conversam sobre o passado que nos abrigou e sobre o colo de onde viemos.

O ​ponto livre do crochê e a textura, tudo manual, humano e curvo são nossas belezas assimétricas. Imperfeitas como parte da nossa história.
Assina a co-autoria, Ana Mello.

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